Cultura & variedades
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Coluna Semanal O polêmico mercado: 110 anos (1889-1999)
Com a República, em 1889, as ruas e praças tiveram nomes novos. A Praça do Mercado, onde os produtores rurais comercializavam o que produziam, com grande barulho e movimentação, passou a chamar-se Praça Prudente de Moraes (Várzea).
A cidadezinha foi crescendo para os altos e o cemitério tão distante (hoje, Praça dos Três Poderes), foi cercado por ela. Dez anos depois da República, em 1899, da tribuna da Câmara, o dinâmico e polêmico vereador, Dr. José Rodolpho Nunes, bradava que "uma praça para o mercado público é uma das necessidades mais urgentes de nossa cidade e apresentou um projeto: que o intendente escolhesse uma praça pública, onde e só onde se pudesse reunir os mercadores ambulantes de gêneros alimentícios e os mascates, sob pena de multa... A grita geral fez o intendente promulgar a Lei nº 13, que determinaria o local para aquela comercialização. A Praça do Rosário, hoje Barão do Rio Branco, a três quadras da Matriz, já era vista como ideal... Mas, por dificuldades financeiras, o projeto ficou no papel... Em março de 1905, o comerciante Eduardo Rocha se propôs a dotar a cidade com dois melhoramentos: o mercado, que teria 16, 35m por 18,50m, e o matadouro, sem dispêndio para a Câmara, reivindicando, apenas, um privilégio por alguns anos. A proposta não foi avante... Em 1918, todos reclamavam dos ambulantes e mascates que invadiam a Praça Dr. Cândido Rodrigues (hoje, Cap. Vicente Dias), ocupando os arredores da Igreja Matriz e a frente da Prefeitura (hoje Museu), gritando e oferecendo seus produtos, perturbando até os cultos religiosos. Uma lei promulgada transferiu as feiras livres para a Praça Barão do Rio Branco, que foi, também, cenário para festas cívicas das escolas e concentrações religiosas ao ar livre (Veja fotos na pág. 7). Só em 1924, a construção do mercado voltou à baila, com promessas do prefeito José Pereira Martins de Andrade de construí-lo. Como sempre, sem consenso, o local foi considerado inadequado por muitos munícipes, mas a construção foi iniciada.
A primeira grande reforma do mercado municipal ocorreu em 1951, na administração do prefeito Palmiro Petrocelli que, relevando críticas, ampliou seu espaço interno, eliminando os terraços malcheirosos que o circundavam.
De 1952 a 1955, a praça Barão do Rio Branco foi ajardinada pelo prefeito Dionísio Guedes Barretto, com projeto de um arquiteto campineiro. A segunda reforma feita pelo prefeito Antônio Pereira Dias, em 1972, reparou o telhado, trocou pisos e pintou todo o prédio. A terceira e elogiável grande reforma foi feita recentemente, e o novo prédio reinaugurado em 26 de junho de 1997, pelo prefeito Celso Amato, que deixou o mercado impecável.
Hoje, o mercado municipal, a uma quadra de dois supermercados, que vendem os mesmos produtos ali comercializados, volta às manchetes dos jornais como uma provável futura casa que abrigará parte das instituições culturais rio-pardenses, por força da lei.
As controvérsias acaloram discussões na pacata São José do Rio Pardo. 24/ 2/ 1999.
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