Cultura & variedades 
Sábado, 27 de fevereiro de 1999.

Coluna Semanal
- Rodolpho José Del Guerra -

 

O polêmico mercado: 110 anos
(1889-1999)

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Com a República, em 1889, as ruas e praças tiveram nomes novos. A Praça do Mercado, onde os produtores rurais comercializavam o que produziam, com grande barulho e movimentação, passou a chamar-se Praça Prudente de Moraes (Várzea).

 

A cidadezinha foi crescendo para os altos e o cemitério tão distante (hoje, Praça dos Três Poderes), foi cercado por ela.

Dez anos depois da República, em 1899, da tribuna da Câmara, o dinâmico e polêmico vereador, Dr. José Rodolpho Nunes, bradava que "uma praça para o mercado público é uma das necessidades mais urgentes de nossa cidade e apresentou um projeto: que o intendente escolhesse uma praça pública, onde e só onde se pudesse reunir os mercadores ambulantes de gêneros alimentícios e os mascates, sob pena de multa...

A grita geral fez o intendente promulgar a Lei nº 13, que determinaria o local para aquela comercialização. A Praça do Rosário, hoje Barão do Rio Branco, a três quadras da Matriz, já era vista como ideal... Mas, por dificuldades financeiras, o projeto ficou no papel...

Em março de 1905, o comerciante Eduardo Rocha se propôs a dotar a cidade com dois melhoramentos: o mercado, que teria 16, 35m por 18,50m, e o matadouro, sem dispêndio para a Câmara, reivindicando, apenas, um privilégio por alguns anos. A proposta não foi avante...

Em 1918, todos reclamavam dos ambulantes e mascates que invadiam a Praça Dr. Cândido Rodrigues (hoje, Cap. Vicente Dias), ocupando os arredores da Igreja Matriz e a frente da Prefeitura (hoje Museu), gritando e oferecendo seus produtos, perturbando até os cultos religiosos.

Uma lei promulgada transferiu as feiras livres para a Praça Barão do Rio Branco, que foi, também, cenário para festas cívicas das escolas e concentrações religiosas ao ar livre (Veja fotos na pág. 7).

Só em 1924, a construção do mercado voltou à baila, com promessas do prefeito José Pereira Martins de Andrade de construí-lo. Como sempre, sem consenso, o local foi considerado inadequado por muitos munícipes, mas a construção foi iniciada.

 

coro2.jpg (6076 bytes)A grande festa de inauguração aconteceu num domingo, 10 de janeiro de 1926, às 14 horas. "O ato foi concorridíssimo, enchendo-se o recinto do mercado de pessoas de todas as classes de nossa sociedade, abrilhantando-o a corporação musical ‘União Riopardense" – relata a Gazeta do Rio Pardo, de 17 de junho de 1926. E continua: " (...) é um edifício bem acabado, estilo moderno, caprichosamente construído pela firma Gomes & Almeida (...) tudo muito bem disposto e sob um quê de elegância (...)". Falaram: Dr. Jovino de Sylos, Dr. Leão Ribeiro de Oliveira, agradecendo em nome do prefeito, e José Honório de Sylos. Foi nomeado administrador do Mercado Municipal Francisco Mello.

 

coro3.jpg (6547 bytes)Lembro-me do mercado com um terraço que o contornava. Lembro-me das dezenas de carrocinhas de produtores de sítios e fazendas que, diariamente, enchiam a praça nua: não existiam ceasas e todas as mercadorias vendidas eram fruto da nossa terra. Lembro-me de ter ido inúmeras vezes ao mercado buscar ossos e verduras doados para a elaboração da sopa escolar que, caprichosamente, D. Hersília fazia. Lembro-me das procissões, cujos encontros, ali aconteciam; dos comícios e das festas dos partidos políticos vitoriosos. Lembro-me do cheiro acre e desagradável de urina naqueles alpendres. Lembro-me dos circos e parques, instalados na Praça Barão do Rio Branco, para alegria dos alunos do "Cândido"...

 

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A primeira grande reforma do mercado municipal ocorreu em 1951, na administração do prefeito Palmiro Petrocelli que, relevando críticas, ampliou seu espaço interno, eliminando os terraços malcheirosos que o circundavam.

 

De 1952 a 1955, a praça Barão do Rio Branco foi ajardinada pelo prefeito Dionísio Guedes Barretto, com projeto de um arquiteto campineiro.

A segunda reforma feita pelo prefeito Antônio Pereira Dias, em 1972, reparou o telhado, trocou pisos e pintou todo o prédio.

A terceira e elogiável grande reforma foi feita recentemente, e o novo prédio reinaugurado em 26 de junho de 1997, pelo prefeito Celso Amato, que deixou o mercado impecável.

 

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Hoje, o mercado municipal, a uma quadra de dois supermercados, que vendem os mesmos produtos ali comercializados, volta às manchetes dos jornais como uma provável futura casa que abrigará parte das instituições culturais rio-pardenses, por força da lei.

 

As controvérsias acaloram discussões na pacata São José do Rio Pardo.

24/ 2/ 1999.